segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A relação entre música caipira e cinema

A música e o cinema tem uma ligação mais estreita do que você imagina. Tudo começou com as duplas caipiras e com a gravação dessas músicas – em disco e fitas. O pioneiro nessas atividades foi Cornélio Pires, o primeiro a gravar um disco com um dupla caipira e o primeiro agravar um documentário sobre a música capira.

A C'est la Vie relembra agora um pouquinho da história de Cornélio, o homem que foi pioneiro na arte de gravar em disco e fita e que deixou uma raiz para todos que até hoje pertencem ao mundo do sertanejo, que é o trabalho das duplas.

Como tudo começou

Jornalista, escritor, poeta, folclorista e cantador, Cornélio Pires foi o primeiro a gravar um disco de música caipira. A história do disco caipira, famoso atualmente, começa em maio de 1929, com a primeira gravação da Turma de Cornélio Pires. Era um 78 rotações de rótulo vermelho, que levava o selo Columbia. De um lado, “Jorginho do Sertão” e , do outro, “Moda de Pião”, ambas de autoria do próprio Cornélio.

Cornélio nasceu em 1884 e foi com ele que a música sertaneja passou a ser encarada sob o ponto de vista profissional. A princípio, por volta de 1914, Cornélio dedicava-se a organizar espetáculos pelo interior de São Paulo, para divulgar a arte caipira e apresentar artistas sertanejos: eram as Conferências Cornélio Pires.

Cornélio Pires

Com o passar do tempo, aquelas apresentações foram crescendo e Cornélio Pires tomou a iniciativa de gravar um disco. Ao chegar em São Paulo, porém , viu seu sonho quase desmoronar, pois nenhuma gravadora queria arriscar um tipo de música que acreditavam não ter receptividade junto ao público.

Confiante em seus propósitos, Cornélio não desistiu, juntou-se a alguns amigos (as duplas Zico Dias e Ferrinho, Mandi e Sorocabinha, Mariano e Caçula) e pagou para gravar seu próprio disco.

De cara, “Jorginho do Sertão” e “Moda de Pião” desmentiram as previsões das gravadoras e em apenas 20 dias, o disco estourava com cinco mil cópias vendidas. D e sucesso e sucesso, criou em 1946, o Teatro Ambulante Cornélio Pires, composto de dois carros, um com biblioteca e outro com discoteca para percorrer o interior paulista, onde apresentava-se em praça públicas.

Em 1922, um ano após publicar "Conversas ao Pé do Fogo", Cornélio esteve no Rio de Janeiro, onde se exibiu em algumas casas de diversões. E, ao apresentar-se num espetáculo beneficente na Associação Brasileira de Imprensa, logo após o encerramento, recebeu os cumprimentos do Maestro Eduardo Souto, um dos maiores compositores populares de seu tempo, o qual convidou Cornélio para que formassem um grupo regional. Cornélio topou e o grupo estreou no dia da inauguração do Palácio das Festas, nas festividades comemorativas ao Primeiro Centenário da Independência.

Encantado com o resultado das cenas que haviam filmado, e terminados seus compromissos com o maestro Eduardo Souto, Cornélio retornou a São Paulo, onde uniu-se ao cineasta Flamínio de Campos Gatti, e já em 1923, juntos partiram para as filmagens ao Nordeste do Brasil.

Cornélio produziu dois documentários, "BRASIL PITORESCO" (1923) e "VAMOS PASSEAR" (1934). Especialistas dizem que “o documentário ‘Vamos Passear’ trata-se do lº filme sonoro feito de maneira independente (...)” e esse fato pode ser constatado na Revista Sertaneja, ano II, nº 17, na página 20.

Filmografia de Cornélio Pires

1923 - Brasil Pitoresco

Documentário em colaboração com o cineasta Flamínio de Campos Gatti. Aspectos de cidades Brasileiras. Joffre dá a data de 1923 e Maynard a de 1922. Foi realmente feito em 1923. Em sua carta a B. J. Duarte, Joffre diz que a película foi rodada em janeiro de 1923, por Flamínio Campos Gatti e pelo próprio Cornélio Pires, focalizando aspectos de Santos, Rio, Bahia e outros Estados do Norte e Nordeste. A seu pedido, foi o filme exibido em Tietê, em Julho de 1959, com geral agrado.

1934 - Vamos Passear

Filme sonoro, produzido após ter feito pequenos documentários. Vamos Passear focaliza cenas do folclore paulista e nele tomaram parte violeiros, canta dores, sertanejos. Segundo Joffre (p.1 08), "provocou desencontrados comentários".

Filmes Baseados nas obras de Cornélio Pires

1918 - Curandeiro

Roteiro extraído do conto Passe os Vinte, filme rodado por Antônio Campos, com Sebastião Arruda como intérprete. Foi visto por Zico Pires em Tietê, no antigo Teatro Carlos Gomes.

1970 - Sertão em Festa

Produzido pela Servicine, baseado na novela Sacrificados (Meu Samburá) e dirigido por Osvaldo de Oliveira. Os principais artistas foram Marlene Costa, Nhá Barbina, Francisco Di Franco, Tião Carreiro e Pardinho, Egidio Eccio e outros. O filme teve grande êxito. Nele tomaram parte catiteiros, violeiros, etc. A pré-estréia foi em Tietê, em benefício da Granja de Jesus.

1985 - A Marvada Carne

Pelo Cineasta André Klotzel, tendo ele se baseado mais principalmente na obra "As Estrambóticas Aventuras do Joaquim Bentinho, o Queima Campo" (1924), obra essa, á qual Cornélio Pires deu continuidade, concluindo e publicando em 1925.

Cornélio Pires faleceu em 17 de Fevereiro de 1958, às 02:30 horas, no Hospital das Clínicas de São Paulo, vítima de câncer na laringe. Faleceu solteiro convicto, em plena lucidez e, conforme sua vontade, foi enterrado de pijama e descalço. 

Com Amor,
C'est la Vie.

Nenhum comentário:

Postar um comentário