sábado, 2 de agosto de 2014

Homenagem: Relembre as adaptações de obras de Ariano Suassuna para TV e cinema



O escritor Ariano Suassuna, 87 anos, morreu no dia 23 de Julho no Recife. Relembre algumas adaptações de obras do autor para o cinema e a TV:

Adaptado para a TV e o cinema sob o comando de Guel Arraes em 1999, O Auto da Compadecida serviu de exemplo para uma leva de minisséries posteriores, elaboradas para serem exibidas tanto na televisão quanto no formato de longa-metragem. Um dos títulos dessa leva é A Pedra do Reino, que o diretor Luiz Fernando Carvalho adaptou, em 2007, de Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta.
Carvalho incorporou à trama elementos de Torturas de um Coração e O Santo e a Porca, outras duas peças de Suassuna. Esta última também foi parar na Globo, incorporada na dramaturgia do especial Brava Gente, que foi ao ar entre 2000 e 2003.

A chegada de Suassuna ao cinema, no entanto, é anterior: em 1969, o diretor e roteirista George Jonas assinou A Compadecida, longa estrelado por Regina Duarte e Armando Bógus. Esse filme e também Os Trapalhões no Auto da Compadecida (de Roberto Santos, 1987), que leva Didi e companhia para o universo do maior representante da dramaturgia nordestina de raízes populares, têm como matriz o clássico maior da obra de Suassuna.

Uma Mulher Vestida de Sol:

Escrita para um concurso promovido pelo Teatro do Estudante de Pernambuco, em 1947, a peça marca a estreia de Suassuna _ além de ter conquistado o primeiro lugar no prêmio. Segundo o próprio escritor, essa foi sua primeira tentativa de recriar o romanceiro popular nordestino. O amor proibido entre dois jovens sertanejos envolve elementos trágicos, como honra familiar e incesto, mas também faz uso do humor, apontando o teor cômico que seguiria presente em outros trabalhos do autor.

O Santo e a Porca:

Recriação da peça Aulularia, comédia clássica do autor latino Plauto que também serviu de inspiração para O Avarento, de Molière, no século 17. Ambientada no Nordeste, trata da história de Euricão Árabe, um idoso avarento que guarda todas suas economias em uma porca de madeira, sempre desconfiado de que esta pode ser roubada. A peça foi adaptada para a televisão na série Brava Gente, exibia pela Rede Globo em 2000.

A Pena e a Lei:

Em mais uma mistura de tragédia e comédia, a peça escrita em 1959 busca inspiração nos mamulengos, tradicional teatro de bonecos nordestino. A encenação começa com os atores imitando bonecos, um deles elaborando um plano para conquistar a mulher pela qual está apaixonado e despistar dois inimigos que querem matá-lo. Suassuna subverte a lógica do mamulengo e a usa em sua narrativa: os bonecos vão ficando cada vez mais humanos, e os próprios apresentadores da peça começam a fazer parte da trama.

A Farsa da Boa Preguiça:

Trabalho escrito em 1960, apresenta a história do pobre poeta popular Joaquim Simão e sua mulher, Nevinha, cobiçada pelo rico Aderaldo. É um trabalho que cruza enredos de histórias de mamulengo e contos populares, além de elementos de poesia barroca e literatura de cordel, sendo considerado um exemplar trabalho de intertextualidade. A peça se tornou um especial veiculado pela Rede Globo, em 1995, com direção de Luiz Fernando Carvalho.

O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta:

Narrativa publicada em 1971, é inspirada  em um episódio ocorrido no sertão nordestino do século 19, onde um grupo tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião. Trata-se de mais uma história baseada na cultura popular sertaneja, trabalhando a influência do mundo ibérico no nordeste sob o ponto de vista de um prisioneiro subversivo que se declara descendente de monarcas. Carlos Drummond de Andrade definiu o texto como um "romance-memorial-poema-folhetim". O livro foi adaptado para televisão, na minissérie exibida pela Rede Globo em 2007.

No teatro, o grande autor segue sendo montado ininterruptamente desde os anos 1950, contando com encenações de grandes nomes como Zbigniew Ziembinski (O Santo e a Porca), Antunes Filho (A Pedra do Reino), Ademar Guerra (O Auto da Compadecida) e Aderbal Freire-Filho (A Farsa da Boa Preguiça). Entre os espetáculos mais recentes estão O Casamento Suspeitoso, com direção de Sérgio Ferrara, e As Conchambranças de Quaderna, de Inez Viana. Dado o grande interesse dos diretores, das mais variadas gerações, pode-se dizer que a quantidade de montagens a lembrar de Suassuna não arrefecerá.

Fonte: Zero Hora 

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