“3
minutos” é um curta metragem com direção de Ana Luiza Azevedo. Na primeira
cena, uma panorâmica situa o expectador ao período temporal em que se passa a
história, graças à televisão antiga, em um suporte na parede, ao fogão também
antigo, bem como a pia e o telefone – também preso à parede – que começa a
tocar até cair na “caixa de mensagem”. Nota-se que não tem ninguém em casa.
Enquanto
uma moça chamada Marília deixa um recado dramático de despedida para o rapaz da
secretária eletrônica, a câmera percorre os outros cômodos da casa. Ela diz que
estava fazendo o almoço quando decidiu partir e a frase explica a cena inicial
da cozinha em que uma vasilha com água ferve no fogão e pedaços de galinha
estão em cima da pia.
A
essa altura, os expectador já se deu conta que se trata de um casal se
separando. Marília vai dizendo o que a fez sair de casa e a câmera sai daquilo
que aparentemente era uma casa e quando está do lado de fora, nota-se que é um
trailer – e esse é um dos motivos pelos quais Marília se foi.
A
ligação cai e o trailer vai ficando cada vez mais distante até que entra no enquadramento
um telefone público e, logo em seguida, uma moça secando as lágrimas, que
correm pelos seus olhos, com um avental.
Neste
momento fica claro para o expectador que a moça é a Marília. Ela coloca o
avental novamente, coloca o telefone no gancho e volta para o trailer.
Ela
desliga o fogão, a televisão e tira os sapatos. O detalhe em cada uma dessas
ações demonstra que Marília desistiu de partir.
Na
segunda vez em que aparece o trailer e o telefone público em um mesmo plano, já
é noite e ao fundo o telefone toca. A chamada cai na secretária eletrônica e o
rapaz – suposto marido de Marília – pergunta se há algum recado para ele.
Ninguém atende. Marília está lá, mas é como se não estivesse.
O roteiro é simples, mas bem escrito, considerando que as imagens são complementares ao áudio, os enquadramentos são simples também, sem cortes secos, e a panorâmica durante boa parte do filme dão a sensação de continuidade. A música é de suspense, mas ao mesmo tempo descreve os sentimentos de Marília, e os sons ambientes também são bem explorados.
Por Stacy Barbosa
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